Apenados aprendem técnicas em empresa de artefatos de cimento

Apenados aprendem técnicas em empresa de artefatos de cimento

Esperança. Com essa palavra, um dos apenados do Presídio Regional de Pelotas (PRP) define a oportunidade de adquirir conhecimentos e descobrir novas realidades. A experiência positiva a que ele refere-se representa mais uma etapa do programa ‘Segunda Chance’, do Pacto Pelotas pela Paz, que, como diz o nome, possibilita que novas perspectivas e portas se abram a quem já errou, mas busca uma opção de integrar-se à sociedade novamente.

Na terça-feira, cinco apenados do regime fechado foram conhecer as instalações da empresa Artecim Artefatos de Cimento, na zona norte da cidade. A visita foi organizada pelo empresário Olavo Rocha, proprietário de construtora e apoiador das ações ressocializadoras no município. No local, o grupo pôde conhecer todo o processo de fabricação de tubos de concreto – desde a chegada da matéria-prima até a secagem dos produtos.

Os novos conhecimentos serão essenciais para os apenados, que já poderão aplicar os métodos e técnicas adquiridas em outro projeto impulsionado pelo Pacto, o ‘ArteconP’ – uma fábrica de artigos de concreto instalada dentro do Presídio, implantada através de uma parceria entre Prefeitura, Susepe, Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e colaboradores da iniciativa, como Olavo Rocha, que doou uma das máquinas para o trabalho.

   RESSOCIALIZAÇÃO

A lista de interessados, tanto da população carcerária para trabalhar, quanto das instituições que desejam o serviço do ‘Mão de Obra Prisional (MOP)’, aumenta cada vez mais, conta o coordenador do projeto na Susepe, Hamilton Martins. A iniciativa que já assina obras de requalificação em 24 unidades de saúde e é responsável pela recuperação de prédios públicos – a mais recente, feita na escola estadual Dr. Franklin Olivé Leite, é motivo de satisfação para o coordenador. “Depois de 30 anos de serviço público, vejo que esta é a única forma que existe de recuperar quem está na prisão. Simplesmente trancar, segregar, não dar opções e não prepará-los para voltar à convivência em sociedade, é um erro. Precisamos oferecer uma segunda chance”, argumenta Martins, que credita ao Pacto Pelotas pela Paz a visibilidade maior que as ações ressocializadoras têm ganhado no Município.

   SEGUNDA CHANCE

Uma das lideranças positivas dentro do presídio, de acordo com o representante da Susepe, foi à empresa e observou atentamente todo o processo de confecção. Serralheiro de formação, ele confirma que a experiência refletirá tanto na qualificação profissional do grupo, como nas perspectivas para o futuro. Sobre a influência que exerce sobre os demais detentos, o apenado reforça que os orienta a trilhar um caminho de trabalho e esforço.

“A gente precisa desse amparo; é através dele que conseguimos mostrar para a sociedade que temos condição de mudança. Precisamos dessa esperança, porque sem ela não temos nada”, disse o apenado, que garante que o serviço ocupa sua mente durante todo o tempo. “Antes de dormir, a planilha de trabalho do dia seguinte já está montada”, completa.

A visita já deve interferir na rotina da fábrica de concretos do PRP, em breve. Depois de conhecer as técnicas implantadas pela Artecim, o grupo ficou engajado para fazer mudanças no processo de produção de tubos; entre elas, criar um espaço com sombra e sem vento para a secagem do concreto – o que melhora a resistência do material.

INICIATIVA conta com várias parcerias

INICIATIVA conta com várias parcerias

PROJETO MODELO

Sócio-proprietário da Artecim, Eduardo Corrêa conta que aceitou a proposta assim que foi contatado, por acreditar que a iniciativa serve de modelo para todo o país. “É um projeto importante que beneficia não só os apenados, mas também a sociedade”, afirma Corrêa.

A visita à empresa, fundada há 18 anos e responsável pela produção de, aproximadamente, 300 tubos de concreto por dia (entre os de 40 centímetros e de um metro), foi acompanhada pelo idealizador do MOP em Pelotas, Leandro Thurow, pelo professor da UCPel, José Pedreira, engenheiros da Prefeitura e representantes da Olavo Rocha Construtora.

O mesmo grupo que conheceu as instalações também participou, no início do mês, de um curso de habilitação para pintura em altura, através de uma parceria entre Susepe e a empresa Auxile Educação Profissional.



Fonte: Diário da Manhã
Redação: redacao@diariodamanhapelotas.com.br

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